O Brasil está em primeiro no ranking!! Vamos comemorar? Nesse caso, não.

Temos visto, em diversos lugares, depoimentos e mais depoimentos de pessoas exaustas. Pior ainda, de pessoas atingidas pelo burnout

Extremamente ansiosas e afetadas por diversas condições mentais que têm trazido impactos devastadores para muitas delas. Em janeiro de 2022, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu, na lista das doenças ocupacionais reconhecidas, a síndrome de Burnout que é um distúrbio emocional,

com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico decorrente de situações de trabalho desgastantes e cheias de excessos. Está diretamente ligada ao ambiente tóxico profissional. Empresas doentes estão fazendo as pessoas ficarem doentes.


Segundo o Ministério da Saúde, alguns sinais indicativos de burnout são:

– cansaço excessivo, físico e mental;
– alterações no apeite;
– insônia;
– negatividade constante;
– alterações repentinas de humor, dentre muitos outros.

E, em 2023, infelizmente, o Brasil assumiu o primeiro lugar no ranking mundial dos países com mais prevalência de transtornos de ansiedade, com quase 19 milhões de pessoas afetadas.

A situação é alarmante!

Já passou da hora de vermos mudanças verdadeiras acontecerem nos ambientes profissionais. A sirene vermelha já está berrando há tempos e ainda andamos a passos lentos na busca pelo equilíbrio entre todos os pratos que precisamos rodar diariamente. Algumas empresas, como, por exemplo, o Grupo Heineken, têm criado diretorias de felicidade, justamente por entenderem que a questão de saúde mental precisa estar em destaque, com um time totalmente dedicado a entender as pessoas que compõe aquela organização e como a empresa pode exercer um papel de cuidado verdadeiro que, como um ciclo virtuoso, refletirá em pessoas mais saudáveis emocionalmente, que serão mais engajadas, melhorarão sua produtividade, entregarão resultados, mas que não precisam adoecer para isso. De acordo com a psicanalista Raquel Moret,

“se de fato uma empresa deseja investir no desenvolvimento de mentalidade de crescimento de seus colaboradores é preciso ressignificar esse entendimento de correlacionar saúde mental somente com benefícios, remuneração, folgas e liderança, que são sim tópicos que devem ter toda atenção tanto para a marca empregadora, quanto para a experiência do empregado, mas que, sozinhos, não evitam burnout ou indicadores negativos, como absenteísmo e turnover. É preciso incluir na pauta ações sustentáveis que contemplem o neurodesenvolvimento e treinamentos que garantam sua eficácia. Isso é sair do óbvio”

Mas, você também precisa prestar atenção em você. Fique alerta. Ao primeiro sinal, busque ajuda. Saiba que você não está só. Não tem fórmula mágica. Não tem resposta pronta. Que nós, líderes, sejamos instrumento de mudança, começando pelos nossos times e, cada vez mais empresas, olhem para dentro e entendam a importância gerar um ambiente saudável de trabalho. O mundo mudou. E vai continuar mudando. Cabe a nós fazermos nossa parte dentro das organizações. Liderar neste cenário será cada vez mais desafiador, mas não podemos, de forma alguma, simplesmente não agir. Precisamos começar já. Cada dia conta para que possamos, realmente, ter um futuro do trabalho produtivo sim, mas também acolhedor.

Colunista:

Mestre em Administração e Desenvolvimento Empresarial e Pós graduada em Neurociências e Comportamento. Com 29 anos de experiência, sendo mais de 12 anos em posições de liderança. Professora na Academia Estadual de Polícia Sylvio Terra (ACADEPOL), FGV e IBMR-RJ. Mentora de líderes e times e Palestrante. Analista Comportamental DISC, Practitioner em PNL e em Psicologia Positiva, fundadora da Inspirare Desenvolvimento e Consultoria.

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