Gilberto Gil transforma despedida dos palcos em celebração que atravessa gerações

Última turnê do artista percorreu 10 capitais brasileiras, passou por Argentina e Chile e celebrou mais de seis décadas de uma trajetória fundamental para a música brasileira

O tempo foi rei até o último acorde. Neste sábado (28), Gilberto Gil subiu ao palco do Allianz Parque, em São Paulo, para encerrar a turnê “TEMPO REI”, em uma noite marcada pela emoção e pela celebração de uma das trajetórias mais importantes da música popular brasileira. Realizada pela 30e em parceria com a Gege Produções Artísticas, a turnê começou em março de 2025 e percorreu 10 capitais brasileiras, além de levar o espetáculo à Argentina e ao Chile.

Ao todo, foram 30 apresentações e mais de 1 milhão de pessoas reunidas em torno de um repertório que atravessou mais de seis décadas de carreira. Em estádios e arenas lotados, Gil promoveu um encontro entre diferentes gerações e reafirmou a força da MPB como uma linguagem capaz de conectar passado, presente e futuro.

O espetáculo também se destacou pela dimensão visual. Criado e projetado pela 30e, o palco apresentou uma estrutura que foi além dos tradicionais telões. No centro da cenografia, um vórtex de LED ganhou diferentes cores, formas, letras e mensagens relacionadas às canções apresentadas, acompanhando a narrativa construída ao longo do repertório.

Uma viagem pela história de Gil

“TEMPO REI” percorreu diferentes momentos da carreira do artista e resgatou canções que ajudaram a construir a história da música brasileira. A montagem também estabeleceu pontes com acontecimentos marcantes da trajetória de Gil, como os festivais do final dos anos 1960 e a apresentação de “Domingo no Parque”, marco da Tropicália.

Mais do que revisitar o passado, a turnê também trouxe discussões contemporâneas e mostrou como a obra de Gilberto Gil permanece conectada às transformações culturais e sociais de seu tempo.

Outro elemento especial foi a formação da banda, que reuniu filhos, netos e outros familiares do artista. A presença da família deu ao espetáculo um caráter intimista, criando uma atmosfera de celebração que aproximou ainda mais Gil do público, mesmo diante da grandiosidade das arenas.

A turnê contou ainda com mais de 30 participações especiais. Os convidados eram mantidos em segredo até o momento de cada apresentação, transformando as aparições em surpresas para a plateia. Entre os nomes que dividiram o palco com Gil estiveram Chico Buarque, Marisa Monte e Caetano Veloso.

Da estrada ao alto-mar

A experiência de “TEMPO REI” também ultrapassou os palcos tradicionais. A turnê ganhou uma apresentação exclusiva a bordo de um navio, levando a música de Gilberto Gil para o mar e criando um cenário diferente para o encontro entre artista e público.

A trajetória internacional passou ainda pela Argentina e pelo Chile, ampliando o alcance de uma despedida que mobilizou fãs dentro e fora do Brasil.

Para a 30e, a realização da turnê representou também uma oportunidade de participar de um capítulo histórico da carreira de Gilberto Gil.

“Para a 30e, foi uma honra imensa receber a confiança de Gilberto Gil e de Flora Gil para realizar a turnê TEMPO REI. Trabalhar ao lado deles foi um privilégio raro, daqueles que marcam uma trajetória inteira”, afirma Pepeu Correa, CEO da 30e. E completa: “TEMPO REI foi uma turnê feita por brasileiros, para brasileiros. Uma celebração do que somos como país. E poucas vezes a música disse tanto sobre nós”.

Um legado que continua no tempo

Com o encerramento da turnê, chega ao fim um ciclo de apresentações, mas permanece o legado de um artista cuja obra atravessa gerações. Ao longo de mais de 60 anos de carreira, Gilberto Gil construiu uma trajetória que combina música, cultura, inovação e diálogo com diferentes manifestações artísticas.

“TEMPO REI” transformou a despedida dos grandes palcos em uma celebração coletiva. Ao reunir mais de 1 milhão de espectadores em 30 apresentações, a turnê confirmou a capacidade de Gil de criar encontros que vão muito além da música e de manter sua obra viva no imaginário de diferentes gerações.

Colunista:

Jornalista, Comunicóloga, graduada em Comunicação Institucional e Pós-graduanda em Jornalismo Digital - Editora-Chefe, Assessora de Comunicação, Diretora de Arte; Designer com Especialização em Programação Visual para Área Cultural, WebDesigner...

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