Menu

Corpo nervoso, imagens brilhantes: a mídia em nós

Tem interesse em descobrir quais são os efeitos do trabalho da mídia? Vamos acompanhar a visão do Gabriel Malinowski, que é professor dos cursos de Jornalismo e Publicidade da Universidade Veiga de Almeida, no Rio de Janeiro, sobre as consequências das imagens da mídia sobre nós. Como um exemplo de mídia que deu certo, vamos lembrar que no início do século XIX as pessoas acompanharam o nascimento do cinema, se tornando então espectadores desse novo passatempo. Atualmente grandes mudanças na forma que percebemos a transmissão de imagens são vistas como plataformas diferentes de exibição, novos modos de leitura de textos e de imagens, diferentes formas de transmissão de áudio, entre outros. É preciso entender que o ser humano evolui de acordo com sua época e a tecnologia disponível e, por isso, se adaptou de forma que conseguisse “processar” toda essa variação incessante de cores, tempos e formas. Temos um exemplo claro disso nos dias de hoje: houve um vídeo que se tornou famoso na internet e que ilustra bem os efeitos dos estímulos que uma imagem traz a um ser humano. No vídeo, um menino com cerca de dois anos aparece com o console Nintendo Wii, onde está jogando tênis. Mesmo sem conseguir dizer frases inteiras, a criança já responde com facilidade ao estímulo das imagens do jogo. É um jeito simples de entendermos que o ser humano bolou estratégias de tornar o próprio corpo compatível aos pixels, bits, entre outros componentes da representação da mídia nos dias atuais. Confira:

As pessoas convivem com telas em todos os lugares: nas televisões, nos computadores, nos smartphones, dentro dos ônibus e etc. Mas se o ser humano não tivesse a capacidade de reagir aos estímulos do áudio, da imagem, das frases ou qualquer outra peça que faça parte do conjunto de informações ao mesmo tempo, a mensagem que foi transmitida seria impossível de entender.

Com tanta informação sendo recebida por todos os lados, as pessoas acabam criando a necessidade de recebê-las. A internet é um dos meios que melhor ilustra isso. Se lembra da tragédia em Virginia Tech, nos EUA? Ocorrido em 2007, foi um assassinato em massa que aconteceu dentro da Universidade Estadual da Virginia. O site da CNN chegou a registrar 1,8 milhão de visitas devido ao post com o vídeo amador de um dos estudantes que registrou a tragédia. Outro meio que serve de ilustração é a televisão. No próprio canal de TV da CNN o vídeo foi repetido incansáveis vezes. Acompanhado por informações dadas pelos repórteres de rua, os âncoras dos jornais, entrevistas com pessoas próximas à tragédia, fotos da universidade e, finalmente, fotos e vídeos do assassino, Cho. A enxurrada de novas informações mantinha as pessoas coladas a tv, a internet e ao rádio. Todos esperavam por um final para a história, e quem não acompanhasse e soubesse de todos os detalhes era visto como alienado e desinteressado.

Virginia Polytechnic Institute and State University

Virginia Polytechnic Institute and State University

Gabriel cita o autor Ben Singer, que organiza alguns conceitos para observar a modernidade. O mais interessante para nós é o que ele chama de modernidade neurológica, em que fala sobre o “choque do novo” e o “bombardeio de estímulos” nas principais cidades modernas. A sobrecarga de informações e a intensidade de estímulos estão completamente fixados no estilo de vida moderno e isso pode ser percebido com o estudo que Singer faz sobre os jornais de época. Os jornais anunciavam abertamente a ansiedade sobre os perigos da vida na cidade moderna, os terrores do trânsito, e os acidentes com máquinas nas fábricas. Hoje ainda temos nossos temores, mas eles são causados por outros problemas. Nossos medos estão profundamente relacionados pela combinação entre os homens e as máquinas e os novos tipos de relações. Quer ver onde essa recepção se encaixa nos dias de hoje? O atentado as Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001. A autora Maria Cristina Franco Ferraz é mencionada, e ela trata do termo “sociedade do espetáculo” pensando na relação Guerra Vs. TV. Na hora que os atentados foram retransmitidos ao vivo pudemos notar o afobamento, a rapidez, o trabalho da transmissão de informações sem máscaras. Pudemos perceber isso quando um canal transmitiu com a legenda “ataques palestinos” nos primeiros momentos e, logo depois, a substituiu por “ataques terroristas”.

Torres do World Trade Center no momento em que foram atacadas em 2001

Torres do World Trade Center no momento em que foram atacadas em 2001

Durante o artigo é mencionado o choque do real. O choque do real nada mais é do que a facilidade de conseguir imagens que temos hoje, como fotos e vídeos amadores, que hoje não são só utilizados, mas são valorizados pelas mídias. Segundo as ideias dos autores Lins e Mesquita […] o interesse por imagens ‘reais’ […] parece corresponder a uma atração cada vez maior pelo ‘real’ em diversas formas de expressão artística e midiática’’. Essa percepção do real, atual, urgente nos desperta atenção e nos deixa em estado de alerta. O choque do real atualmente se encontra nas notícias e ocorridos do dia a dia: violações, assassinatos, assaltos, massacres, cenas eróticas. Conseguiu perceber? Por fim, chegamos a conclusão de que toda essa apresentação do ‘real’ pela mídia, mostra uma relação entre cultura do medo, incerteza da vida urbana e intensificação da procura pela sensação do ‘real’.

Se interessou e quer ler o artigo na íntegra? Leia no site da Revista Mediação 😉

Deixe uma resposta