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Batman Noel: Uma perspectiva diferente do Homem-Morcego [Review]

Batman Noel - capa. DC Comics

Estamos tão acostumados de ler quadrinhos de super-heróis que colocam o herói confrontando seu inimigo com bastante ação e ainda aquele suspense para prender o leitor na história. Mas, nesta HQ, o enredo segue um estilo um pouco diferente: não vemos Batman lutando e perseguindo seus vilões de uma maneira “violenta”, com lutas bem extravagantes. O enredo segue de uma maneira com suspense, o que realmente é fantástico, ainda mais nos quadrinhos do Batman e com aparições de seus inimigos, mas sem aquela adrenalina. Portanto, mesmo que a ação não seja o foco principal, o quadrinho não perde seu lado empolgante.

Superman ajuda o Batman - Batman Noel. DC Comics

©DC Comics

A história é sobre um dos capangas do Coringa que tem que entregar um pacote para o vilão, mas acaba perseguido e interceptado pelo Batman. O Cavaleiro das Trevas, contudo, o deixa fugir para que se torne uma ‘isca’. Com inteligência, o herói deixa um rastreador no capanga para que fique fácil monitorar sua trajetória e capturar o Coringa. Durante a trama, Batman contrai um resfriado bem grave (lembrando que a história se passa no natal – época fria para quem mora nos EUA) e isso acaba o atrapalhando de raciocinar. É aí que aparece o Superman, tentando dizer para o Batman se cuidar, mas como o Bruce Wayne é teimoso, não segue seu conselho e continua em sua busca para vencer o vilão. Batman também se encontra com a Mulher-Gato e relembra cenas do passado em que ambos se enfrentam, ao lado de seu ex parceiro, Robin. Não vou dizer muito, mas quero deixar bem claro que esta é uma HQ excelente, com um final surpreendente, um pouco diferente das tradicionais.

Batman interroga o capanga do Coringa. - ©DC Comics

©DC Comics

É muito comum vermos, em HQ´s deste gênero, os vilões retratados como sujeitos essencialmente cruéis. Neste caso, contudo, é diferente. O ajudante do Coringa tem um filho e se aliou ao vilão para conseguir dinheiro para sustentá-lo. Podemos perceber uma pequena semelhança com a HQ A Piada Mortal, em que, de início, o “Coringa” não é visto como uma pessoa má, mas alguém que possuía o sonho de ser comediante e que acabou fracassando. Com isso, precisaria de dinheiro para cuidar de sua esposa grávida e até de si mesmo. Sem dinheiro, o único “emprego” que restou foi roubar o antigo lugar onde trabalhava. Ao decorrer da trama, acontece algo com o Coringa que o deixa louco do jeito que o conhecemos hoje. Com este conceito, percebemos que ambos os personagens se tornaram “vilões” por não haver outra escolha.

Com uma ótima arte de Lee Bermejo, que possui um desenho um pouco sombrio, que combina perfeitamente com a HQ, pelos traços realistas que dão um toque de suspense. O Lee é desenhista e escritor de outros quadrinhos de sucesso, como por exemplo Antes de Watchmen: Rorschach, as edições de Gen¹³ e, a obra que lhe rendeu seu reconhecimento, Deathblow. Lee já fez parceria com outro grande quadrinista, Brian Azzarello, com quem produziu grandes graphic novels de sucesso.

Os Fantasmas de Scrooge

Cena de Os Fantasmas de Scrooge (2009) – ©Disney

O enredo também é de Lee Bermejo, que se inspira em Um conto de Natal (publicado em 1843 por Charles Dickens), atualmente considerado um dos melhores contos de natal do mundo, tendo várias adaptações entre o cinema, teatro, animações e até quadrinhos. Citando dois exemplos de filmes, vemos um deles na animação da Disney, Os Fantasmas de Scrooge (com Jim Carrey) e um outro de 1970, Scrooge. Vale muito a pena conferir estes dois filmes e, claro, a HQ Batman Noel também!

Batman e os vilões clássicos - ©DC Comics

©DC Comics

Devo admitir que não esperava uma boa história, mas a HQ acabou me convencendo o contrário, apresentando um enredo bem cativante. Vale lembrar que não se trata de um quadrinho cheio de ação frenética mas, sim, uma trama com um desenvolvimento histórico e dramático que prende o leitor. A arte sombria dá um tom de empolgação ao ler, com traços realistas e ousados. Recomendo aos fãs do Batman que leiam esta HQ e, também, aos alunos que cursam publicidade. Não só pela arte inspiradora mas, também, por retratar um enredo que coloca o Batman como um personagem mais humano, trazendo um desfecho bem emocional. Os quadrinhos, assim como as propagandas, devem ser criativos, conter variações e ‘sair do clichê’. Assim, é possível cativar e encantar o público com uma trama – ou campanha – que seja sempre envolvente.

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  1. João Carlos

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